16 de abr de 2013

Review: Tomb Raider - Longa vida a Lara Croft



Anunciado em 2011 e lançado dois anos depois, Tomb Raider é um recomeço (ou reboot, pra usar o termo em inglês da moda) da série, que existe desde 1996 e que não vinha bem das pernas. A Crystal Dynamics e a Square Enix resolveram apostar alto e conseguiram entregar um grande jogo.

Primeiro, trocaram a Lara "musa dos games" com seu shortinho, blusa justa, duas armas na mão, óculos de John Lennon e peitos exagerados por uma Lara mais jovem, iniciando sua vida como exploradora. As roupas são mais discretas (uma calça e uma blusa de alça, com um cordão no pescoço), a pose de aristocrata sabichona dá lugar a uma garota cheia de dúvidas, mas louca para aprender mais, e por aí vai.

Em segundo lugar, a produtora olhou para diversos games de sucesso, pegou muita coisa boa deles e juntou tudo em Tomb Raider. Uma influência clara é a série Uncharted, da Naughty Dog - que, assumidamente, foi influenciada pelos Tomb Raider antigos. O clima de aventura cinematográfico, alternando momentos de jogabilidade controlada pelo usuário com cenas de corte (nunca longas demais), é bastante típico dos jogos estrelados por Nathan Drake. Já nas seções de combate, há momentos em que Lara pode ser discreta e abater inimigos sem ser vista (Metal Gear Solid, Splinter Cell, Deus Ex: Human Revolution), ourtros em que ela pode usar armas brancas para acabar com os inimigos no braço (olá, God of War) e, finalmente, sessões de tiroteio - especialmente na segunda metade do jogo - que não devem nada a jogos como Gears of War ou Max Payne.


Finalmente, não esqueceram que, mesmo iniciante, Lara Croft é uma exploradora. Além da história principal, há dezenas de documentos, relíquias, objetos para recolher, e tumbas para procurar e explorar. As tumbas sempre contém algum quebra-cabeça de ambiente, e quando resolvidos, dão a Lara mais itens para sua coleção. E para os que gostam de troféus ou achievements, há vários relacionados a esse lado exploradora da moça.

E a história? Bem, temos Lara acompanhando uma equipe de exploradores, lideradas por um arqueólogo veterano que é uma espécie de mentor da nossa heroína e por outro que odeia cortar peixe para reality shows, rumando pelo Japão, até que uma tempestade faz o navio naufragar numa ilha misteriosa, onde todos se vêem encrencados, tendo que encarar um líder maluco que acredita que conseguirá ressuscitar uma antiga rainha e acabar com uma maldição que afeta aquele local. Daí começa a aventura de sobrevivência de Lara. E a moça sofre. Ela se corta, sangra, apanha, passa fome, sofre assédio, escapa algumas vezes de morrer... mas sobrevive, e, num golpe de muita felicidade dos produtores e roteiristas do jogo, você sofre e sobrevive com ela. Ao contrário da Lara dos jogos anteriores, esta "nova versão" é mais humana, mais frágil, e faz você se importar mais com ela. Percebe a perturbação dela quando tem que matar um inimigo (especialmente no começo do jogo, depois ela se acostuma e acaba com as almas sebosas sem dó). E à medida que o jogo avança, a personagem cresce, aprende novas habilidades, adquire novas armas (ou as atualiza) e o jogador fica genuinamente empolgado com essa evolução.

Enquanto Lara é uma personagem bem desenvolvida, não podemos dizer o mesmo dos coadjuvantes. Alguns deles são bem estereotipados, e o roteiro possui clichês e viradas que um jogador mais acostumado com filmes do gênero vai adivinhar com bastante antecedência. O vilão principal também não ajuda muito: o personagem é unidimensional, em algumas ocasiões possui gestos e falas dignos de um monstro que o Jaspion combatia na série dos anos 80.


Gráficos - impressionantes. A captura de movimentos dos atores principais é sensacional, e a performance da atriz Camilla Luddington como Lara Croft é tão boa que ajuda demais no sentimento de nos importarmos com ela. Os movimentos dela são fluidos, as falas bem escritas (ponto pros roteiristas) e o sotaque britânico da moça é menos carregado e aristocrata que as Laras anteriores. Na versão para PC, a Square usa uma tecnologia (a TressFX) que, se você tiver um computador potente, pode perceber os cabelos de Lara balançando ao vento de uma forma bastante realista (ou não, a habilitação do recurso gera polêmica em fóruns e grupos de discussão - confira nesse vídeo exemplos do recurso habilitado - http://www.youtube.com/watch?v=HvHq4JIcneY&noredirect=1)

Já a ambientação é muito bonita. A ilha onde o jogo se passa não é nenhum mundo aberto gigante, mas ainda assim há bastante variedade de cenários, desde densas florestas até os restos do navio afundado, ou praias que impressionam pela textura da areia. Quando chove no cenário, você percebe os pingos de água na "câmera", ou então fica com a visão prejudicada durante uma tempestade de neve ou ventania. E há bastante variedade: desde cenários dignos de um jogo de tiro em primeira pessoa, com corredores, até cenários bem abertos, com escaladas, cordas para tirolesas, locais para atingir inimigos com flechadas à distância, etc.

A única falha de design está nos inimigos, que seguem uns três ou quatro modelos e pronto; mas nada de prejudique o jogo.

E se você por acaso morrer durante o jogo, vai ver Lara sendo flechada, decapitada, enforcada... o jogo não alivia nessas horas.

Som - além do excelente trabalho de áudio nos personagens - e há legendas em bom português, a música e os efeitos sonoros fazem ótimo papel no jogo. Como num bom filme do gênero, a música cresce ou fica mais suave de acordo com a situação. Uma trilha mais agitada nas cenas de ação, bem lenta (ou mesmo sem música) em momentos de exploração ou puzzles. E os efeitos, como em horas de ventania ou quando você espeta um machado em uma parede para escalar, valem a pena. E as armas, cada uma tem seu ruído específico, como pistolas, escopetas ou metralhadoras. Recomendo jogar com volume bem alto ou com fones de ouvido.

Gameplay/Jogabilidade - a Crystal Dynamics aprendeu bastante com a Naughty Dog, e controlar Lara Croft é tão bom quando fazer o mesmo com Nathan Drake. Embora nas primeiras horas do jogo haja, talvez, um excesso de quick-time-events (sequências de botões para serem apertados na hora certa), a estratégia foi usada para ajudar no desenvolvimento da personagem. A maioria das cenas de batalha flui bem, seja usando armas como flechas, o machado de escalada ou as armas de fogo. Para facilitar o gameplay, os produtores espalharam muita munição pelo cenário, ainda que pareça pouco realista. Dificilmente Lara ficará desarmada durante alguma batalha.

Já na exploração, Lara encontra caixas com fragmentos ao longo de sua caminhada, e pode usá-los para evoluir suas armas. Fragmentos também são encontrados nos corpos dos inimigos mortos. E o jogo segue uma evolução com XP no estilo de um RPG, e Lara vai acumulando experiência para adquirir novas habilidades (de exploração, caça ou combate) e os fragmentos servem para atualizar as armas. Há também pedaços de armas que precisam ser encontrados para certas atualizações. Por exemplo, o arco começa simples, mas pode chegar a um arco "de competição" que pode atirar flechas explosivas (isso é Rambo ou Tomb Raider?). Outras armas ganham maior precisão, menor coice, etc. Tudo isso para ajudar nas cenas de combate, que especialmente a partir da segunda metade do jogo, crescem e você passa a lidar com dezenas de inimigos, incluindo alguns bem chatos que usam armaduras; mas acabar com eles é extremamente prazeroso (morre, diabo!).


E entre sessões de exploração e tiroteio, há os puzzles. Eles ajudam, em alguns momentos, a fazer o jogador dar uma relaxada após muita adrenalina, e botam o camarada pra pensar um pouco. Será que se eu amarrar a corda naquele sino ele vai balançar e quebrar a parede? Ou será que se eu pular nesse barco eu consigo atravessar essa água "elétrica"? Nas tumbas e em certas partes do cenário normal, é com esse tipo de coisa que Lara vai lidar. Como eu nunca fui muito bom em lógica, alguns puzzles me consumiram boas horas e geraram muitos xinganementos à minha própria incapacidade; mas creio que alguém mais acostumado com esse tipo de jogo tire os quebra-cabeças de letra.

Um pequeno defeito do gameplay: na primeira parte do jogo, Lara tem fome e é incentivada a caçar animais para conseguir alimento. Podem ser coelhos, pássaros, galinhas ou animais maiores como lobos e cervos. Entretanto, antes mesmo da metade da trama os animais são "abandonados" e ninguém mais lembra que Lara pode sentir fome - mas ela ainda pode matar os bichos para garantir pontos de experiência e, eventualmente, troféus/achievements.

A interface do jogo é simples e limpa, com poucas coisas na tela que possam atrapalhar a jogabilidade. Ponto para a Crystal Dynamics. E a versão para PC permite até três jogos salvos diferentes. Bom para quem quer tentar novos caminhos na exploração do jogo, ou mesmo se quiser dividir o jogo com outra pessoa. Nos consoles, também há a opção de três slots de salvamento, e não há online pass para o multiplayer.


Sobre o multiplayer, joguei muito pouco, e não curti muito. Para começar, o jogo coloca novatos e veteranos no mesmo balaio, então eu era presa fácil para gente com nível 60 e todas as armas e personagens disponíveis. Por outro lado, mesmo com minha conexão 3G, o jogo rodou liso e sem lags. Se me dei mal foi porque sou ruim mesmo.

Quem quiser ter o troféu de platina, os 1000 pontos no gamerscore ou 100% dos troféus no Steam terá que passar umas boas horas no multiplayer, porque há diversos prêmios relacionados ao modo.

Finalizando, Tomb Raider funciona para os fãs antigos, que vêem uma Lara renovada e com força para estrelar novos jogos, e para quem chegou agora. Longa vida a jovem e renovada Lara Croft.

Tomb Raider (versão avaliada: PC; também disponível para Xbox 360 e PlayStation 3)
Data de lançamento: 05 de março de 2013
Produção: Crystal Dynamics
Distribuição: Square Enix - a versão para PC pode ser comprada em lojas online como Steam e Nuuvem

Requisitos de sistema

Mínimos: Processador AMD Athlon64 X2 2,1 GHz (4050+) ou Intel Core2Duo 1.86 GHz (E6300); 1 GB de memória RAM (2 GB para o Windows Vista); placa de vídeo compatível com DirectX 9 com pelo menos 512 MB de memória RAM (AMD Radeon HD 2600 XT, nVidia 8600), 12 GB de espaço em disco, sistema operacional Windows XP Service Pack 3, Vista, 7 ou 8, internet banda larga para o multiplayer

Recomendado: Processador AMD Phenom II X4 955 ou Intel Core i5-750; 4 GB de memória RAM, placa de vídeo compatível com DirectX 11 com 1 GB de memória RAM (AMD Radeon HD 5870, nVidia GTX 480), 12 GB de espaço em disco, Windows Vista, 7 ou 8, internet banda larga

Computador usado para jogar e avaliar: Processador Intel Core i3 2100 3,10 GHz, 4 GB de memória RAM, placa de vídeo AMD Radeon HD 6670 com 1 GB de memória, DirectX 11, Windows 7 de 64 bits, internet "banda larga" 3G.

Nenhum comentário: